quarta-feira, 12 de maio de 2010

Almas Perfumadas



"Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri...

Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso, numa tarde extensa, sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce, da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro... Tem gente que tem cheiro das estrelas que o Criador acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.

Ao lado delas a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda.

Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim.

Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é perfume que vem de dentro.

Ao lado delas, a gente lembra que, no instante em que rimos, uma grande paz toma conta de nós. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Sua alma é 'perfumada'? Você também pode ser assim..."

terça-feira, 4 de maio de 2010

Plavras


Palavras bonitas
Palavras difíceis
Palavras escritas
Palavras não ditas
Palavras faladas
Palavras sofridas
Palavras cantadas

Palavras...

Palavras amigas
Palavras espinhos
Palavras alegres
Palavras pensadas
Palavras soltas
Palavras caladas

Palavras, palavras, palavras...

Palavras doces
Palavras amargas
Palavras simples
Palavras complicadas
Palavras vividas
Palavras sentidas
Palavras amadas
Palavras de mais
Palavras apenas
Palavras!

Thais Oliveira

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Oração à Nossa Senhora do Carmo


"Ó Santíssima Imaculada Virgem Maria, ornamento e glória do Monte Carmelo, Vós que velais tão particularmente sobre os que trazem vosso sagrado Hábito, velai também, bondosa, sobre mim, e cobri-me com o manto de Vossa maternal proteção. Fortalecei minha fraqueza com o Vosso poder, e dissipai, com a Vossa luz, as trevas do meu coração.


Aumentai em mim a fé, a presença e a caridade. Ornai minh'alma com todas as virtudes, a fim de que ela se torne sempre mais amada de Vosso Divino Filho. Assisti-me durante a vida, consolai-me com a Vossa Amável presença na hora da morte, e apresentai-me à Santíssima Trindade, como Vosso filho e fiel servo Vosso, para que eu possa louvar-Vos eternamente no Céu. Assim seja."

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Cores

Sabe aqueles dias
Em que o tédio se sobrepõe às alegrias,
Que a alma se enche de pequenas agonias
E que você esparramada em sua rede
Tem o olhar fixo perdido na parede?

Sabe?
Pois é.

Foi num dia desses
De total desinteresse
Que da janela de meu quarto
Pude ver como a um retrato
O rosto triste e nublado do céu
Encoberto por um cinza de um véu.

Exclamei:
Merda!

De que vale correr atrás de uma vida colorida
se sobre ela paira um manto negro desbotado?
De que vale ter uma existência toda límpida
se as nuvens são de um branco acinzentado?

Não sei.
Depois pensei...

Saber responder talvez seja o segredo.
Enxergar o que não se vê.
Vasculhar fundo sem ter medo.
Pintar aquilo em que se crê.

Um céu vermelho intenso sem manchas,
Moldurado por um verde profundo sem nuances.
Nuvens brancas ou azuis. Tanto faz.
Uma estrela lilás.
Um Sol cor de rosa.
E uma Lua amarela de brilho fugaz.

Ou quem sabe um céu magenta
com um Sol azul marinho.
Se não existe a gente inventa
Busca o sonho e o caminho.

Plinio de Oliveira
(Poema dedicado à sua filha)

Preenchendo Vazios


Me sinto vazia...

Vazia do amor e da alegria

Vazia da raiva e da dor


Vazia do rir e do chorar

Vazia de assunto, de pensamentos

Vazia do que dizer, do que sentir


Vazia de tudo e de nada.


Vazio não porque se perdeu algo

Mas simplesmente porque nunca se teve


É como se nada existisse por dentro

Como se nunca houvesse existido algo anteriormente

Como se a vida ainda estivesse por vir.


Como quando se está para nascer

Tudo aquilo que um dia o fez Ser

Parece já não estar mais ali, já se apagou da memória

Só o que resta é o vazio


E quando é chegada a hora

A vida precisa ser reconhecida, reaprendida


Ao seu redor tudo é estranho

A luz ofusca os olhos

Os sons são ensurdecedores

Os odores são incompreensíveis

E os sabores causam enjôo


Nada faz sentido

Mas, instintivamente, se sabe que está seguro ali.


Thais Oliveira