sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Cores

Sabe aqueles dias
Em que o tédio se sobrepõe às alegrias,
Que a alma se enche de pequenas agonias
E que você esparramada em sua rede
Tem o olhar fixo perdido na parede?

Sabe?
Pois é.

Foi num dia desses
De total desinteresse
Que da janela de meu quarto
Pude ver como a um retrato
O rosto triste e nublado do céu
Encoberto por um cinza de um véu.

Exclamei:
Merda!

De que vale correr atrás de uma vida colorida
se sobre ela paira um manto negro desbotado?
De que vale ter uma existência toda límpida
se as nuvens são de um branco acinzentado?

Não sei.
Depois pensei...

Saber responder talvez seja o segredo.
Enxergar o que não se vê.
Vasculhar fundo sem ter medo.
Pintar aquilo em que se crê.

Um céu vermelho intenso sem manchas,
Moldurado por um verde profundo sem nuances.
Nuvens brancas ou azuis. Tanto faz.
Uma estrela lilás.
Um Sol cor de rosa.
E uma Lua amarela de brilho fugaz.

Ou quem sabe um céu magenta
com um Sol azul marinho.
Se não existe a gente inventa
Busca o sonho e o caminho.

Plinio de Oliveira
(Poema dedicado à sua filha)

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